NOVA BIBLIOTECA USP

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Nova Biblioteca

Entre a Sé e o Largo São Francisco, a nova biblioteca da Faculdade de Direito da USP se insere em um local com grande potencial agregador e estabelece um ponto de referência no centro de São Paulo.

 

Em um contexto urbano adensado os edifícios geminados se mesclam entre si. O alinhamento dos planos e a continuidade dos revestimentos de fachada faz com que a percepção do edifício anexo IV seja indistinta de seu vizinho mais alto. Com a intenção de valorizar a nova Biblioteca, criam-se dois decalques nas laterais da fachada frontal, através do uso de duas colunas metálicas, em perfil I. Esses elementos proporcionam um sutil sombreamento, destacando o prédio dos demais. Possibilita também futuras alterações de composição e gabarito dos vizinhos sem conflitar com a solução formal da Biblioteca, além do necessário reforço estrutural.

 

Propõe-se uma extensão da rua em direção ao edifício, a partir de um recuo de cinco metros no pavimento térreo, criando-se assim, um espaço acolhedor de transição que se contrapõe a atual configuração das fachadas maciças e calçadas estreitas da região. Este recuo aproxima a biblioteca à escala do pedestre. Ali, o pé direito do térreo foi secionado em dois, criando um mezanino, onde foi locado o café da biblioteca, e reforçam a sensação de amplidão após a experiência do pé direito pleno e contínuo do térreo, deixado intencionalmente vazio ao longo de toda sua lateral. Essas intervenções resultam na retirada da marquise existente e no aumento da área útil do edifício. No topo do edifício é posto o auditório de 100 lugares, cujo negativo gera um mirante, espaço de exceção, de onde se avista sem interrupções o Largo do São Francisco e a Faculdade de Direito.

 

 A partir da leitura da situação atual do prédio, este foi dividido em três volumes funcionais buscando a otimização das instalações elétricas e hidráulicas e da área disponível. Na lateral mais estreita fixou-se a circulação vertical de serviços, escada dupla de emergência e shafts de instalações. Este volume possui raras variações ao longo dos pavimentos e se estende desde o subsolo até a cobertura. O segundo volume é definido pela porção restante da atual área construída e será destinado às funções administrativas, convívio, acervo e consulta. Aqui, existe a possibilidade de variação de layout de acordo com a função definida. Por último, cria-se um prisma nos fundos do terreno onde hoje há apenas o aproveitamento de área no térreo e 1˚ pavimento. Esta torre ocupa cerca de 1/3 do vazio e é destinado aos novos banheiros do edifício.

 

Adequando-se à exigência do Corpo de Bombeiros, foram criadas de duas escadas enclausuradas de emergência para o edifício. A solução adotada otimiza espaço ao intercalar no mesmo vão original as duas escadarias, cruzadas entre si e adequadas às variações de altura dos pisos por meio da variação das larguras de seus patamares intermediários.

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Distribuição dos espaços

Grande parte da administração da biblioteca foi concentrada no subsolo, devido à criação de um túnel conectando-o ao Edifício Histórico. A abertura de um pátio na porção posterior do terreno cria, porém, ambientação mais natural ao espaço. Considerando a restrição de área, foi proposta a transferência da Reserva Técnica do SPT e da seção de Restauro e Encadernação para os dois pavimentos cedidos no Edifício Cláudio Lembo. Desse modo foi criado um ambiente de trabalho mais amplo e fluido. Considerando a interrelação de praticamente todas as seções de Serviços da Biblioteca, foi proposto um conceito de escritório aberto, em que as informações e documentos circulam de maneira eficiente.

 

Como uma continuidade da calçada, o pavimento térreo foi imaginado amplo e desimpedido, de modo participar de maneira efetiva da dinâmica urbana da cidade. Um primeiro recorte cria um vão de transição entre os dois espaços de caráter tão distintos: a rua e a Biblioteca. Através do acesso, chega-se a um grande saguão longitudinal ao terreno, desimpedido como um foyer, espaço de encontros e exposições, uma área de convergência de fluxos. Contíguo a esse espaço longitudinal, estão o balcão de atendimento e o Serviço de Atendimento ao Usuário, interligado por acesso restrito e com contato direto ao elevador monta-cargas.

 

No centro do espaço, a partir do poço de ventilação existente e expandido, foi localizado um elevador panorâmico, elemento de ligação e distribuição vertical, paralelo ao elevador monta-cargas, também translúcido, de modo a manter uma relação entre a circulação de pessoas e de livros, reforçando e o caráter integrado da Biblioteca. A partir do considerado pé direito original, foi criado um mezanino, área de convívio mais resguardada, porém de direto contato com o espaço de acesso principal, também postando-se como uma varanda protegida para a rua.  Nesse pavimento de caráter semi-público, também foi locada a sala de reuniões de funcionários.

 

O edifício configura-se em torno do átrio central, vedado acusticamente com vidros para criar o isolamento necessário para cada pavimento. Do segundo ao nono pavimento, foram distribuídas as áreas de acervo, estudo e leitura, de maneira equilibrada e proporcional em pavimentos de layout variável conforme a demanda específica de cada núcleo. Dessa forma, cada pavimento pode operar como um núcleo independente, mesmo estando visualmente integrado ao átrio e, consequentemente, ao restante da biblioteca. Assim, evita-se o isolamento do usuário e do funcionário, reforçando o uso coletivo do espaço. Outra vantagem dessa disposição é a flexibilidade na disposição dos espaços que podem tomar diversas formas conforme variam o acervo e a tecnologia, numa edificação planejada para se manter útil e ativa nos próximos 50 anos.

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Ficha técnica

Concurso nacional de arquitetura

 

Ano

Projeto - 2013

 

Áreas

Terreno - 380m²

Construção -  4.080m²

 

Autor

Pedro Grilo

 
Equipe

Lara Pita e Marcelo Pimenta

 

Colaboradora

Marcela Moraes

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