PARANOAZINHO CENTRAL

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Projeto realizado durante a Oficina de Concepção Arquitetônica promovida pela UPSA no segundo semestre de 2016. A oficina contou com a participação 13 escritórios brasileiros que criaram edifícios de uso misto para o novo bairro Colorado Sobradinho, projeto do renomado escritório dinamarquês Gehl Architects.

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UMA NOVA CENTRALIDADE PARA BRASÍLIA

O terreno escolhido se caracteriza por ser o principal ponto nodal do urbanismo proposto com vocação para abrigar um marco para a cidade. Isso deve principalmente por esse lote servir como elo de ligação entre a  Praça Norte e a Rua Central, os dois equipamentos mais centrais do futuro bairro. Enquanto a Rua Central, também chamada de Passeio Sobradinho, será um centro linear de maior atividade urbana do novo bairro, a praça deve ser o principal ponto de encontro e sede de eventos ao ar livre. A conexão entre essas duas localidades norteou todo o projeto, com objetivo de promover a transição entre a amplitude espacial da praça para a alta densidade edificada da via comercial. Faz parte do esforço em reforçar a centralidade do local, a definição de equipamentos-âncora: Mercado central e torre corporativa sede da UPSA, que serão abordados posteriormente.

 

Volumetria e Espacialidade

A composição volumétrica do conjunto teve como parâmetro a seguinte dicotomia: adequação à configuração do desenho urbano e proposição de espaços internos relativamente autônomos. Assim, a volumetria aparente nas extremidades das quadras tem caráter exógeno, comprometidas com o espaço público circundante, enquanto os espaços internos são predominantemente endógenos, moldados pelas relações internas entre as funções e volumetria.

 

Considerou-se como frente do lote a faixa voltada para a praça, dividida em duas parcelas pelo acesso ao Passeio Sobradinho no centro. Essa fachada da quadra pretende atuar como um marco simbólico, criando um Skyline a partir da perspectiva da praça. Portanto optou-se pela valorização da verticalidade, quebrando a configuração de paredão uniforme do quarteirão convencional. Com isso abre-se mais espaços públicos ou semi-públicos no térreo que se conectam ao Passeio Sobradinho, proporcionando com que todo o terreno sirva como conexão entre a via e a praça. Enquanto a solução convencional seria marcar um grande acesso para a via comercial, semelhante a um estuário, a solução proposta se assemelha a uma foz de rio em delta, criando uma convergência de percursos que se encontram na Main Street. Essa proposta pareceu mais adequada à escala urbana proposta e aos conceitos norteadores do urbanismo, reforçando o aspecto simbólico sem recorrer a monumentalidade.

 

Já a volumetria edificada voltada para a via de pedestres tem por objetivo a criação da atmosfera de centro comercial linear apontada no plano urbano. Esses edifícios possuem gabarito menor e uniforme, configurando planos de fachada contínuos, com térreo comercial implantado sem recuo. No lado direito edifícios residenciais com fachadas que mantenham a relação de proximidade com a rua, e dotados elementos de fachada que permitam mais transparência. Para não comprometer a continuidade das fachadas e frentes comerciais no térreo, os acessos ao interior das quadras são exíguos em quantidade e dimensões. Essa configuração do espaço contribui para a ambientação da caixa de via pretendida; de uma alameda/rambla com aspecto de recinto pela proximidade das fachadas e pelo dinamismo das atividades térreas.

 
Diversidade funcional

O plano urbanístico descreve essa região do projeto como a mais urbana, dinâmica e com grande diversidade de usos, sendo que a Rua Central deve ser o coração comercial do bairro. Seguindo essa orientação urbanística, e considerando a escassez dessa diversidade urbana em Brasília, foi criado o Mercado Central, um equipamento-âncora que uniria diversos usos em uma mesma porção do lote.

 

Mercado

O mercado funciona como uma ampliação do espaço público, trazendo a atmosfera de comércio de rua para dentro do edifício. Estabelece uma relação de retroalimentação com a Rua Central, aproveitando a grande movimentação local de pessoas esperada para a via e também atraindo visitantes de outras regiões do DF para conhecer o bairro. Para isso, o mercado precisa de um conceito original, para que não se torne um centro comercial banal com abrangência local. Propõe-se que o mercado tenha uma vocação específica, um polo de alimentação com produtores locais, conceito amplamente utilizado em áreas centrais ao redor do mundo.

 

Além do térreo e segundo piso comerciais com foco em alimentação, o edifício possui mais dois pisos para comercio e serviços, podendo também ser usado por pequenos escritórios. Acima, ergue-se uma torre residencial integrada ao conjunto, com unidades quitinetes e quarto-sala. A existência dessas atividades acima do mercado garantem mais usuários permanentes para o funcionamento diário do mercado.

 

Comércio

Afora o mercado, as demais unidades comerciais térreas voltadas para a alameda de pedestres são estreitas (5m) permitindo a criação de uma maior quantidade de unidades com grande variedade de atividades e serviços atraindo mais usuários para a alameda de pedestres. Essa tipologia permite a implantação de diversas atividades de varejo e serviços. Dentro das quadras, no térreo dos edifícios residenciais, prevê-se a criação de poucas lojas com características para abrigar comércio e serviços de suporte à vida cotidiana dos residentes. Já as unidades comerciais voltadas para a praça no térreo das torres e mercado devem ser de médio porte, aproveitando a maior visibilidade de fachada para a implantação de outras tipologias de comércio e serviços.

 

Residenciais

As habitações próximas a Rua Central e acima do mercado foram pensadas para um perfil de residente que deseja usufruir das vantagens dessa área como centralidade, mobilidade e acesso a pé à diferentes serviços. Em contrapartida, o habitante dessa área tem pouca facilidade para fazer uso constante do carro e deve ser tolerante a agitação e ruído comuns nas áreas mais densas das cidades. Dessa forma pretende-se criar unidades de pequeno e médio porte, próximas ao térreo para famílias pequenas, casais ou residentes solteiros, com a quantidade mínima de garagens exigida pela legislação.

 

O bloco residencial no lado direito possui um pátio semi-privado para promover o convívio entre residentes e visitantes, que pode ser amplamente acessível durante o dia, mas com uma atmosfera mais reservada em comparação as atividades da alameda de pedestre. Esse pátio interior abriga os acessos residenciais para pedestres, melhorando a transição entre a escala gregária dos ambientes comerciais e o espaço privativo dos residentes.

 

Já as unidades residenciais na edificação linear no lado direito do lote, são maiores chegando até 120 m2 com 3 quartos. Esse edifício possui unidades mais confortáveis ,com melhores vistas e acessos mais privativos. A intenção foi diversificar também a perfil de renda do habitante, uma das diretrizes do projeto urbanístico.

 

Corporativo

A localização central é atrativa para o uso corporativo/escritórios, dessa forma criou-se um edifício isolado para esse uso na frente do lote. Além de aproveitar a melhor visibilidade em frente à praça, torres isoladas são ótimas para otimizar o aproveitamento de pavimentos de escritórios. O acesso direto a Rua 11 é mais adequado a essa tipologia por permitir melhores acessos à garagem subterrânea e entradas mais amplas para a torre de escritório, valorizando esses imóveis.

 

O térreo possui localização privilegiada, cercada de espaço público entre a Praça Norte e o acesso ao Passeio Sobradinho. Este espaço é ideal abrigar alguma atividade de grande relevância para a cidade, como um centro cultural, teatro com livraria, etc. Entretanto, pensando na implementação faseada do bairro Fazenda Paranoazinho, este espaço foi pensado para abrigar temporariamente a sede da UPSA, aproveitando esse espaço térreo no coração do loteamento para divulgar o desenvolvimento do bairro e servir como um grande posto de venda e incorporação dos empreendimentos.

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FICHA TÉCNICA

Paranoazinho Central

 

Cliente

Urbanizadora Paranoazinho SA

 

Local

Bairro Colorado-Sobradinho / DF

 

Ano

2016

 

Áreas

terreno  7.852m²

construção  27.482m²

 

Autores

Pedro Grilo

Gabriel Nogueira

Guilherme Araujo

 

Equipe

Mariana Freitas

Letícia Claro

Mariana Leite

Rayan de Sant'Anna

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