CASA DAS GARAPAS

Vrn a 01
Vrn a 03.2

Uma casa entre as árvores

Em um terreno único em que o desnível de dez metros em direção aos fundos se apresenta repleto de árvores nativas do cerrado, algumas delas com mais de duzentos anos de idade, surge a demanda de se implantar uma residência de quatro quartos para uma família brasiliense. O desafio: a preservação da vegetação local, mantendo livre de edificações a área não arborizada do lote. Nessa zona, banhada pelo sol nascente é prevista a construção da piscina e demais áreas de lazer da casa, para onde são dispostas a maior parte das janelas, de modo a tirar proveito dos ventos dominantes.

 

O levantamento florístico revela infestação por cupins em uma dezena de árvores, que serão retiradas. Também gera o mapeamento das árvores conforme sua relevância. Contudo, a maior concentração de árvores na porção frontal do terreno ainda restringe a disposição da residência mais próxima à rua. Somando-se a isso, há a necessidade de se aproximar os espaços sociais e as áreas de lazer externas, mais ao fundo. Assim, a melhor locação encontrada para a residência é a porção central do lote. Cria-se um acesso de pedestres suspenso sobre a mata nativa: um deck de madeira entremeado por árvores nativas, ao nível da rua, além de uma rampa para veículos que conduz os moradores ao pavimento inferior da casa – um aproveitamento do desnível natural do terreno.

 

O pavimento superior é um volume linear, transversal ao lote, de largura estreita de modo a se encaixar entre as árvores existentes. Para evitar o contato com as raízes, esse volume é suspenso do chão, parcialmente apoiado sobre o restante da edificação. Nele concentra-se o núcleo íntimo da casa: três suítes orientadas para o nascente, com acesso a partir de um eixo lateral de circulação. O recuo frontal, de cerca de 16m, e a alta densidade arbórea, geram um amplo jardim destinado ao convívio íntimo da família. Paralela ao jardim, a passarela de madeira garante acesso ao pavimento superior, caminho esse alinhado à árvore mais alta do local. O passeio é repleto de expectativas: ao acessar a porta frontal da casa, revela-se a frondosa Garapa centenária, envolta pelo pavimento inferior da casa.

 

A porta principal sugere o percurso de descida ao pavimento inferior, através de uma escadaria em três lances. O ponto de chegada da escada é a antessala, também acessível a partir da garagem. A partir daí se distribuem os espaços sociais da casa, privilegiados pela desejada integração visual, mas demarcados por diferentes aberturas, cada qual para um jardim - a antessala observa a Garapa principal; a sala de jantar se alinha ao sul com uma Copaíba; a cozinha vê duas Perobas; a sala de TV duas Garapas menores; e a sala de estar dá acesso à varanda e o gramado dos fundos.

 

Na porção esquerda do pavimento inferior, foram dispostas as zonas de serviços da casa: em sequência a partir da frente do lote a garagem, a área de serviço e a despensa, a cozinha e a churrasqueira. As duas últimas integradas por meio de portas e janelas. A churrasqueira é a continuação espacial da varanda, ambas abertas para o fundo do lote, onde ficam a piscina, o gramado, a fogueira, o redário e a horta da família. O desencontro proposital entre o volume do pavimento inferior, mais aos fundos, e o superior, mais à frente, gerou a possibilidade de se caminhar por sobre a laje da sala, onde foi criado um jardim seco e um espaço de convívio junto às copas das árvores.

 

A necessidade de realizar um diálogo franco com a natureza, iniciado pela criação de aberturas e vazios em direção à paisagem, é complementada pela contraposição de diferentes planos horizontais - as lajes da casa - às diferentes linhas verticais existentes - os troncos das árvores. Enquanto as lajes afirmam a relação da casa com o solo, as árvores elevam o olhar a um plano superior. Entremeada pelo verde, a casa se transforma em terreno e o terreno passa a ser habitado como um todo.

Vrn a 02
Vrn a desnhos 1
Vrn a desnhos 2
Vrn a desnhos 3
Vrn a desnhos 4
Vrn a 06
Vrn a 04
Vrn a 07
Vrn a 05.1
Vrn a 13

Ficha técnica

 

Local

Setor de Mansões Dom Bosco - Jardim Botânico

Brasília DF

 

Áreas

Terreno - 1.926m²

Construção - 408m²

 

Ano

Projeto - 2014

Obra - 2015/16

 

Autores

Brunno Vilela

Guilherme Araujo

Pedro Grilo

 

Interiores e detalhamento

Mariana Freitas

 

Equipe

Ana Meira

Ana Rein

Laíssa Novais

Laís Petra

 

Colaboradores

Paisagismo - Gustavo Gall

Estrutura e Instalações - eng. Luciano Vaz

Luminotécnico - TC iluminação