UMA CASA EM LUANDA

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Habitação de baixo custo em Luanda

A proposta concebida para o concurso de habitação de baixo custo em Luanda implicou desde o início nas escolhas de projeto. Dentre os desafios encontrados estavam o bom desempenho climático, a capacidade de replicação e autoconstrução, a sustentabilidade dos materiais propostos e a adequação estética. Perante esses quesitos, a alvenaria estrutural baseada no tijolo de solo-cimento de 2 furos, o conhecido “tijolito”, pareceu a mais adequada, uma vez que com uma prensa manual, barro do local e 15% de cimento, uma comunidade bem instruída é capaz de fabricar o seu principal elemento construtivo. E esse sistema aliado à pré-fabricação de peças de concreto e argamassa armada pode aumentar a eficiência e velocidade da construção. [1]

 

A partir das dimensões do tijolo – 6,25 x 12,5 x 25cm (A x L x P) – foi definido um módulo espacial básico de 2,5 x 2,5 x 4m, apropriado para a disposição da maior parte dos cômodos. [2] Partindo desse módulo, a casa foi distribuída em três volumes principais: social, privado e serviços, articulados por um pátio central. [3] Em um segundo momento esses volumes foram rearranjados, propiciando algum dinamismo para a disposição geométrica do conjunto. [4]

 

Uma vez que a sala de estar, a cozinha e o pátio oferecem um caminho fluido e livre de barreiras visuais, o espaço da casa enfatiza o contato social entre os membros da família. Assim, as diferentes gerações podem coexistir enquanto atuam em diferentes tarefas em um generoso espaço multiuso, resultante, principalmente, da desejada conexão entre os espaços sociais e de serviço, enquanto esses oferecem a passagem em direção à parte mais reservada da casa, os quartos. [5] Nesse contexto, o pátio exerce a transição entre o caráter dos blocos, traduzida pelo emprego de três diferentes peles: portas corrediças de vidro temperado vedam o espaço da sala; uma fachada de tijolos com duas portas de correr reservam a circulação dos quartos; e um painel de tijolos em pé atua como um cobogó de fechamento do corredor de frente aos banheiros da casa. [6]

 

A partir dessa disposição básica [7], foram desenvolvidas variações de plantas, visando exaltar a flexibilidade do módulo escolhido e atender diferentes demandas dos habitantes. [8]

 

Uma vez definida a família angolana como uma unidade social, o projeto buscou exaltar o conceito de coletividade. Por isso, pareceu ideal distribuir as casas lado-a-lado (geminadas), reforçando a ideia de que uma unidade (ou família) compõe um conjunto habitacional, uma comunidade. Esse aspecto é reforçado pelos jardins nos fundos das casas que, conectados visualmente pelas cercas baixas, tornam-se um território semiprivado, em contraste com o pátio, que opera no centro da casa como um átrio privado. Esses dois vãos abertos, pátio e quintal, podem ser entendidos espacialmente como vazios, uma vez que abrem espaços entre as massas sólidas, e assim as definem. Cabe explicar que uso da palavra vazio, nesse sentido, não significa ausência, mas sim um espaço que permite a fruição da vida. [9]

 

Em relação ao espaço urbano, a fachada frontal deve se tornar uma representação da identidade social comunitária, um espelho possível do caráter angolano. A busca pela distinção levou ao uso de uma metáfora arquitetônica, levando em conta a cultura local, extremamente rica em ritmo e melodia. Assim, a música angolana forneceu a estrutura para a distribuição das casas no espaço urbano, reunindo todas as fachadas em uma só linha, numa rica composição:

 

  • 10.1 – O ritmo básico
  • 10.2 – A inserção de aberturas sincopadas.
  • 10.3 – O espelhamento de algumas residências cria fórmulas alternadas de compassos, com pulsos mais fortes nas junções entre os blocos mais altos.
  • 10.4 – A inserção de painéis corrediços na fachada frontal gera aleatoriedade na composição, além, é claro, de possibilitar a proteção solar e o resguardo da intimidade das casas.
  • 10.5 – O uso de gradientes sutis de cores cria uma melodia flutuante sobre a fachada urbana e ressalta as transições entre os compassos (casas).
  • 10.6 – Finalmente, a justaposição de casas em diferentes alinhamentos com relação à rua gera um movimento pulsante de intensa vibração perante as diferentes ruas do conjunto habitacional.

FICHA TÉCNICA

A house in luanda: patio and pavilion

 

Iniciativa

Trienal de Arquitetura de Lisboa

 

ano

projeto 2012

 

áreas

área do terreno  250m²

área construída  100m²

 

autores

Paula Calainho    

Pedro Grilo

Tiago Rezende