FABRIKA FILMES

Fk.sia 03

 

Pr%c3%8amios2
Fk.sia 05 1
Fk.sia 04 1
Fk.sia 062jpg

Arquitetura do convívio

O projeto da nova sede da produtora Fabrika Filmes surge a partir de um desafio central: criar um prédio conciso e flexível, adaptado às necessidades de uma produtora de vídeos e suas empresas parceiras. Nesse contexto, uma análise cuidadosa da sede anterior da empresa foi crucial para o desenvolvimento de um programa de necessidades que comportasse a transferência da sede e sua futura expansão. Assim, não foram apenas consideradas as funções e distribuição dos núcleos, mas também a forma dinâmica de trabalhar e a forte interação social existente na produtora. O novo prédio procurou atender à mobilidade de uma empresa em constante transformação em que se destaca a intensa convivência nos espaços comuns, a partir de uma hierarquia de núcleos bem definidos.

 

O prédio é localizado no novo trecho 17 do SIA (Setor de Indústrias e Abastecimento de Brasília), o que impôs um desafio. Se por um lado costuma-se a encarar o contexto urbano como elemento de diálogo e motivação para as primeiras decisões arquitetônicas, o que dizer de um terreno em que o contexto urbano ainda não existe? A região foi criada a partir de um programa de incentivo do governo distrital, onde o urbanismo foi executado concomitantemente  à construção da maioria dos prédios. Com isso, o contexto inicial do lote levou em consideração apenas os poucos elementos existentes: a orientação, os ventos dominantes e a presença distante da via Estrutural, uma das principais vias expressas da cidade.

 

O terreno é constituído de 2 lotes idênticos de 20 x 40m, dispostos lado a lado. Por solicitação do cliente, um dos lotes deveria ser usado para estacionamento e o outro para a edificação. Desse modo a empresa teria a possibilidade de uma futura expansão. Escolhido o lote a construir, partiu-se para o zoneamento dos principais volumes e funções da produtora, quais sejam:

 

  • Estúdio de filmagens - volume hermeticamente fechado por questões de acústica e iluminação, apresenta área aproximada de 150m² e pé direito duplo.
  • Funções anexas ao estúdio – Camarins, sala de casting, depósitos técnico, depósito de produção, central de iluminação.
  • Núcleo de edição – contendo as salas de edição e pós produção, assim como o acervo técnico.
  • Núcleo dos funcionários – área de convivência dos funcionários, com copa, estar e vestiários.
  • Áreas de escritórios – Representa os núcleos de produção, comercial, financeiro, redação, e direção da empresa. É a área com maior mobilidade da empresa, podendo dobrar de tamanho conforme o tipo de trabalho em que se esteja atuando. Por isso, a previsão é que ocupasse cerca de 500m² da área total, ou seja, 2 pavimentos.
  • Áreas comuns – A serem espalhadas ao longo do prédio, possuem a função de integrar os diferentes núcleos em torno de espaços de uso coletivo, incentivando a dinâmica característica da produtora. Dentre essas aéreas, uma exigência do programa foi a colocação de um restaurante com capacidade para até 40 pessoas próximo às áreas comuns do térreo, facilitando assim o acesso em dias de evento.

 

Primeiramente, optou-se por posicionar o estúdio no fundo do lote, aproveitando ao máximo os recuos obrigatórios permitidos e deixando uma faixa lateral de 3,8m para a circulação de veículos de carga. Observou-se que as áreas adjacentes ao estúdio, juntamente com os núcleos de edição e dos funcionários deveriam estar próximas ao estúdio, o que representaria um entrave às áreas comuns do térreo. Com isso em vista, foi tomada a decisão de utilizar o subsolo, onde a legislação permite a ocupação máxima. Assim, o estúdio fica semienterrado, com seus acessos pelo pavimento inferior. Em torno do estúdio colocam-se suas áreas anexas e o núcleo dos funcionários. Na porção frontal do subsolo, fica o núcleo de edição, situação oportuna uma vez que essa área requer um maior controle da iluminação e ventilação naturais devido a questões técnicas – calibragem de cores e bloqueio de ruído.

 

Com a construção de cerca de 80% da área do subsolo, a preocupação com as necessidades de ventilação e iluminação natural teve que ser reforçada. Dessa forma, foram dispostas sempre que possível, saídas de ar quente e entradas de luz, como a que existe sob o banco do térreo, estrategicamente colocado para reforçar o convívio na área externa e ao mesmo tempo garantir um subsolo arejado e naturalmente iluminado. Mesmo nas áreas com restrições de iluminação, pareceu necessária a realização de um largo recorte no terreno que permitisse aos usuários do subsolo um contato direto com ambiente externo.

 

A partir do posicionamento do estúdio, decidiu-se por deslocar a circulação vertical de seu local mais óbvio, à frente do lote, para a área central, ao lado do estúdio. Essa opção divide os pavimentos superiores – onde ficam as áreas de escritórios – em duas partes, contribuindo para uma satisfatória estratificação da edificação, que passa a ter mais flexibilidade e melhor rentabilidade do espaço.  Com isso se faz possível uma série de variações de layout nos pavimentos destinados ao aluguel e à parceria com empresas e autônomos de interesse mútuo. Além disso, a opção por um espaço central de distribuição integralmente vazado de baixo até em cima proporciona maior conexão visual entre as diversas áreas do prédio e possibilita uma quantidade maior de encontros, reforçando o caráter social da empresa.

Fk.sia 08
Fk.sia 11
Fk.sia 12

um átrio de luz

 

O átrio resultante desse vão central constitui o principal espaço de exceção da Fabrika. O átrio é o núcleo, a origem de todo o trânsito de pessoas. Seu pé direito é completo, integra as passarelas suspensas com a circulação vertical, cria um vínculo visual permanente entre as funções sociais e restritas e intersecciona a modulação contínua da estrutura metálica. Ali se percebe a movimentação ao longo dos dois pavimentos de escritórios e o térreo, característica reforçada pela intensa presença do vidro, tanto nas fachadas leste e oeste como no teto e nos fechamentos do elevador, das escadas e das passarelas de conexão entre os dois lados do prédio.

 

Para reforçar o dinamismo desse espaço utilizou-se de um recurso plástico pouco usual. Sendo o piso do átrio um quadrado perfeito, formado por 16 placas cimentícias de 120 x 120cm e a cobertura formada por uma pele de vidro, espelhando a modulação do piso, as passarelas que conectam os dois lados do prédio representam uma ruptura nessa regularidade. Pode-se imaginar um cubo torcido, como uma espinha dorsal, criando vazios ireegulares a partir de recortes nas passarelas. Esse efeito é reforçado pela paginação de madeira tangenciada por rasgos de luz, tanto nos forros quanto nos pisos das passagens.

 

O percurso de acesso de pedestres foi resolvido desde a entrada frontal do lote até o átrio central, no pavimento térreo. A solução foi estender uma marquise negra em direção à frente do lote, um prolongamento da estrutura de concreto do estúdio. Esta proposta propicia uma cobertura adequada ao acesso do pedestre ao longo do caminho. Esse gesto é simbólico: o estúdio estende um braço em direção à cidade e, assim, convida os visitantes a acessar o edifício.

 

Os pavimentos de escritórios (1º e 2º) possuem as características de flexibilidade requeridas pelo programa. Para tanto, foi criada uma coluna de áreas comuns – banheiros, DML e copa – voltada para o átrio central, liberando o vão principal para conter apenas áreas de trabalho. Nelas, o vão livre tornou-se possível a partir do uso da estrutura metálica, que vence um vão transversal de 10,8 metros e também do emprego de piso elevado, tornando possíveis rápidas mudanças de layout. O uso de shafts exclusivos para instalações lógicas e elétricas foi fundamental, uma vez que se pode facilmente recabear o edifício inteiro conforme a necessidade.

 

Outra vantagem da forma obtida nos escritórios é a grande abundância de luz natural aliada à ventilação cruzada, dispensando em grande parte das vezes o uso de recursos artificiais de iluminação e ventilação. Fechando a composição dos pavimentos de escritórios, há as varandas, generosos espaços de convivência para os escritórios, conectados à copa e às passarelas do átrio central. Essa estrutura auxiliar, formada por um balanço de 1,8m da estrutura metálica, conecta o prédio longitudinalmente ao longo da fachada leste, protegida por chapas metálicas perfuradas.

Fk.sia 13
Fk.sia 10
Fk.sia 14

Ficha Técnica

Fabrika Filmes

 

Endereço

SIA trecho 17, rua 40, lotes 125/145

Brasília-DF

 

Autores

Gabriel Nogueira

Guilherme Araujo

Pedro Grilo

 

Ano

Projeto - 2008/09

Construção - 2009/2011

 

Áreas

Terreno - 1600m² 

Construção - 1700m²

 

Fotos

Joana França

Aníbal Fontoura

 

Colaboradores

Eng. orçamentista - Paulo Resende
Projeto concreto - ProEst
Projeto aço - Medabil
Projeto instalações - Projet
Projeto acústico - Luís Cysne
Luminotécnico - TC iluminação / Dessine / CoDA
Paisagismo - Quinta
Consultoria - Alberto Uno
Compatibilização - CoDA Arquitetos

 

Equipe

Almira Portella
Brunno de Sá
Cristiana Scorza
Daniel Brito
Thiago Turchi

Fk.sia 17
Fk.sia 15
Fk.sia 18
Fk.sia 19
Fk.sia 32
Fk.sia 33
Fk.sia 34
Fk
Fk.sia 37
Fk.sia 40
Fk.sia 30
Fk.sia 27
Fk.sia 28
Fk.sia 29
Fk.sia 21
Fk.sia 23
Fk.sia 24
Fk.sia 22